Lojas online falsas não prejudicam apenas quem realiza um pagamento e não recebe o produto. Elas também aumentam a desconfiança sobre marcas pequenas, vendedores novos e negócios legítimos que ainda não são conhecidos pelo consumidor.
Um levantamento publicado em 2025 mostrou que golpes relacionados a compras representaram 45,1% dos relatos recebidos pela plataforma SOS Golpe entre janeiro e maio daquele ano. Esse percentual reuniu diferentes modalidades, não apenas lojas falsas.
Dentro do conjunto analisado, o golpe da loja ou empresa pouco conhecida foi a categoria individual mais frequente, com 15,8%. O estudo também registrou separadamente lojas clonadas, falsos vendedores, falsos prestadores de serviço e outras fraudes.
Esses dados não representam todos os golpes ocorridos no Brasil. Eles vieram de denúncias voluntárias recebidas por uma plataforma específica. Ainda assim, mostram por que consumidores e empresas precisam observar com mais cuidado os canais utilizados em uma compra.
Atualizado em 2 de agosto de 2026.
O que o levantamento de 2025 realmente mostrou
O Mapa de Fraudes em Compras Digitais no Brasil foi produzido pela Silverguard, responsável pela plataforma SOS Golpe, em parceria com a CloudWalk.
O estudo utilizou relatos recebidos entre janeiro e maio de 2025.
Segundo o relatório:
- os golpes de compra representaram 45,1% dos golpes relatados no período;
- a modalidade da loja ou empresa pouco conhecida correspondeu a 15,8% do total;
- a loja ou empresa clonada correspondeu a 8,5%;
- o falso vendedor de itens usados também correspondeu a 8,5%;
- a perda média informada no golpe da loja pouco conhecida foi de R$ 740;
- a perda média da loja clonada foi de R$ 520.
A metodologia detalha a análise de 5.300 denúncias relacionadas a golpes de compra.
Esses números não significam que 45,1% de todas as fraudes praticadas no Brasil tenham envolvido lojas falsas. O percentual se refere ao conjunto de relatos recebidos pela plataforma.
Também não é possível usar a amostra para calcular a probabilidade de um consumidor ser vítima ou para concluir que quase metade de todas as lojas seja fraudulenta.
A principal informação útil é que golpes relacionados a compras apareceram com frequência relevante no canal analisado, e que lojas desconhecidas ou clonadas estavam entre as principais abordagens relatadas.
Loja falsa e loja clonada não são a mesma coisa
As expressões costumam ser tratadas como sinônimos, mas podem descrever situações diferentes.
Loja falsa com identidade própria
Nesse caso, os criminosos criam uma suposta empresa que não possui uma operação comercial legítima.
A página pode apresentar:
- nome de marca inventado;
- produtos copiados de outros sites;
- fotos profissionais;
- preços muito baixos;
- políticas genéricas;
- perfil recente nas redes sociais;
- atendimento por WhatsApp;
- pagamento por Pix;
- prazo de entrega aparentemente normal.
Depois do pagamento, a loja para de responder, exclui o perfil ou mantém o site ativo para atingir outras pessoas.
A identidade não precisa copiar uma empresa famosa. A fraude se apresenta como uma marca nova ou pouco conhecida.
Loja clonada
A loja clonada tenta se passar por uma empresa que existe.
Os criminosos podem copiar:
- logotipo;
- cores;
- fotos;
- descrições;
- CNPJ;
- endereço;
- avaliações;
- vídeos;
- nomes de funcionários;
- campanhas promocionais;
- aparência do site oficial.
O domínio costuma ser parecido com o verdadeiro, mas possui alguma diferença.
Exemplo fictício:
Site oficial:
lojadoexemplo.com.br
Site falso:
lojadoexemplos.com
A diferença pode ser apenas uma letra, um hífen, uma terminação ou uma palavra adicional.
Falso vendedor em uma plataforma
O criminoso também pode agir dentro de redes sociais, grupos, classificados e marketplaces.
Ele publica um produto que não possui e tenta receber:
- pagamento integral;
- sinal;
- taxa de reserva;
- taxa de entrega;
- valor para liberar o pedido.
Em marketplaces, uma prática comum é tentar levar a conversa para fora da plataforma. Ao sair do ambiente original, o consumidor pode perder mecanismos de registro, contestação e proteção oferecidos pelo serviço.
Por que os golpes afetam lojas legítimas
Uma empresa verdadeira pode não ter relação alguma com a fraude e, ainda assim, sofrer consequências.
Isso acontece porque o consumidor não avalia somente o produto. Ele também tenta descobrir se a empresa existe, se entregará o pedido e se poderá ser localizada depois do pagamento.
Quando uma pessoa já passou por um golpe ou conhece alguém que passou, tende a verificar mais elementos antes de comprar.
Uma loja pequena pode enfrentar dúvidas como:
- esse perfil é verdadeiro;
- esse site pertence à empresa;
- o CNPJ informado é realmente do vendedor;
- o Pix está no nome correto;
- o produto será entregue;
- existe atendimento depois da compra;
- a política de troca será respeitada;
- as avaliações são verdadeiras;
- a oferta está barata demais;
- por que a loja aceita apenas pagamento antecipado?
Essas dúvidas não tornam a loja suspeita automaticamente. Elas mostram que a compra online exige verificação.
O negócio legítimo precisa facilitar essa verificação.
Ter um site não comprova que a empresa é legítima
Uma loja falsa também pode criar um site.
Atualmente, registrar um domínio, instalar um certificado HTTPS e montar uma página visualmente organizada pode ser feito rapidamente.
Por isso, a existência do site é apenas uma parte da análise.
Uma estrutura legítima deve apresentar coerência entre:
- domínio;
- nome da empresa;
- CPF ou CNPJ;
- redes sociais;
- endereço;
- e-mail;
- telefone;
- recebedor do pagamento;
- nota fiscal;
- políticas;
- atendimento;
- histórico da marca.
Quando cada canal apresenta uma informação diferente, a confiança diminui.
Uma loja que utiliza um nome no Instagram, outro no site, outro no Pix e um quarto nome no atendimento precisa explicar claramente essa relação.
Pode existir uma justificativa legítima, como nome fantasia diferente da razão social. O problema é deixar o consumidor descobrir isso sozinho durante o pagamento.
O cadeado do navegador não comprova a identidade do vendedor
O HTTPS protege a comunicação entre o navegador e o servidor.
Ele reduz o risco de terceiros interceptarem ou alterarem as informações durante a transmissão.
Isso é necessário em qualquer loja virtual, principalmente em páginas de login, cadastro e pagamento.
Porém, HTTPS não comprova que:
- a empresa existe;
- o CNPJ pertence ao vendedor;
- o produto será entregue;
- as avaliações são verdadeiras;
- o site não foi criado por golpistas;
- o recebedor do Pix corresponde à loja;
- o atendimento continuará depois da compra.
Uma página fraudulenta também pode usar HTTPS.
O consumidor deve verificar o endereço completo exibido no navegador. Não basta observar apenas o símbolo de conexão segura.
O CNPJ também não deve ser verificado isoladamente
Sites falsos podem copiar o CNPJ de uma empresa verdadeira.
Por isso, encontrar um número válido não encerra a verificação.
É necessário comparar:
- razão social;
- nome fantasia;
- situação cadastral;
- atividade econômica;
- endereço;
- nome do recebedor;
- canais publicados pela própria empresa.
Um CNPJ de restaurante, oficina ou prestador de serviço não deveria aparecer sem explicação em uma loja que vende eletrônicos.
Também pode ocorrer de uma loja utilizar uma razão social diferente da marca. Isso não indica fraude por si só, desde que a relação esteja apresentada de forma clara.
A identificação do fornecedor deve estar visível antes da compra, não apenas depois da emissão de um comprovante.
Quais informações uma loja deve apresentar
O Decreto 7.962/2013 regulamenta as contratações realizadas no comércio eletrônico.
Entre os pontos previstos estão informações claras sobre fornecedor, produto, preço, despesas adicionais, pagamento, entrega e restrições da oferta.
Uma loja deve apresentar, conforme a situação:
- nome empresarial;
- CPF ou CNPJ do fornecedor, quando aplicável;
- endereço físico;
- endereço eletrônico;
- formas de contato;
- características essenciais do produto;
- riscos relacionados ao produto, quando existirem;
- preço;
- frete;
- despesas adicionais;
- formas de pagamento;
- disponibilidade;
- prazo de entrega;
- restrições da oferta;
- canais de atendimento;
- procedimento para arrependimento, troca ou devolução.
Essas informações não devem ficar escondidas em uma página difícil de localizar.
Também precisam corresponder à operação real.
Copiar uma política pronta e publicar condições que a empresa não consegue cumprir cria outro problema.
Este conteúdo possui finalidade informativa. Obrigações comerciais, fiscais, contratuais e relacionadas à proteção do consumidor devem ser avaliadas conforme a atividade e a situação concreta do negócio.
Como uma loja verdadeira pode facilitar a verificação
Uma empresa não consegue eliminar toda a desconfiança do comércio eletrônico. Ela pode, porém, organizar informações que permitam ao comprador conferir a operação.
Use um domínio próprio e fácil de reconhecer
O domínio deve estar relacionado à marca e ser utilizado nos canais oficiais.
O endereço pode aparecer em:
- biografia do Instagram;
- perfil do WhatsApp;
- assinatura de e-mail;
- embalagens;
- cartão;
- nota fiscal;
- anúncios;
- materiais de atendimento.
Quanto mais consistente for o uso, mais fácil será distinguir o endereço oficial de uma cópia.
Ter domínio próprio não impede clonagens, mas permite estabelecer publicamente qual é o canal legítimo.
Utilize e-mail no domínio da empresa
Um endereço como:
atendimento@nomedaloja.com.br
ajuda a relacionar a mensagem ao domínio oficial.
Isso não torna o e-mail imune a falsificações. Ainda assim, reduz a dependência de contas genéricas e facilita a identificação dos contatos oficiais.
A empresa também precisa proteger o e-mail com senha exclusiva e verificação em duas etapas.
Identifique claramente a empresa
O rodapé, a página de contato e as políticas devem apresentar informações coerentes sobre o fornecedor.
Quando o nome fantasia for diferente da razão social, explique essa relação.
Exemplo:
“Nome da Loja é o nome comercial utilizado por Empresa Exemplo Comércio Ltda.”
Isso evita que o consumidor encontre outro nome no Pix ou na nota fiscal e conclua que houve uma alteração suspeita.
Mantenha canais oficiais atualizados
Informe quais canais são realmente utilizados.
Por exemplo:
- site;
- WhatsApp;
- Instagram;
- e-mail;
- telefone;
- endereço físico, quando aplicável.
Quando a empresa não realiza atendimento por mensagem direta ou não cobra valores adicionais pelo WhatsApp, isso também pode ser informado.
Uma página de segurança ou aviso contra golpes pode declarar:
- qual é o domínio oficial;
- quais perfis pertencem à empresa;
- quais números de telefone são utilizados;
- como a empresa recebe pagamentos;
- quais informações nunca solicita;
- como denunciar perfis falsos.
Explique como o pagamento aparece
Antes do pagamento, informe:
- nome ou razão social do recebedor;
- instituição de pagamento utilizada;
- formas aceitas;
- momento em que o pagamento será solicitado;
- existência de parcelamento;
- condições para confirmação.
No Pix, o comprador deve conferir os dados exibidos pela instituição financeira antes de confirmar.
Se o pagamento aparecer no nome de uma intermediadora, gateway ou razão social diferente, a loja deve explicar essa relação.
Apresente políticas compatíveis com a operação
As políticas devem explicar de forma acessível:
- envio;
- prazo;
- frete;
- rastreamento;
- troca;
- devolução;
- cancelamento;
- reembolso;
- atendimento;
- privacidade.
Não basta publicar textos genéricos.
A empresa precisa possuir processo para cumprir o que informou.
Evite ofertas sem contexto
Descontos elevados podem ser legítimos em liquidações, produtos de mostruário, ponta de estoque ou campanhas específicas.
Quando o valor estiver muito abaixo do padrão, explique o motivo.
O consumidor deve conseguir entender:
- duração da promoção;
- quantidade disponível;
- condição do produto;
- regras;
- preço anterior, quando aplicável;
- possíveis limitações.
Urgência artificial, cronômetros reiniciados e mensagens falsas de estoque podem aproximar a experiência legítima das táticas usadas por golpistas.
Mostre informações reais sobre os produtos
Uma página de produto deve evitar descrições vagas ou copiadas sem revisão.
Inclua, conforme o item:
- dimensões;
- material;
- variações;
- compatibilidade;
- garantia;
- conteúdo da embalagem;
- forma de uso;
- cuidados;
- prazo de preparação;
- disponibilidade.
Quanto mais clara for a informação, menor será a possibilidade de o cliente interpretar incorretamente a oferta.
Organize o atendimento
O comprador precisa saber como falar com a empresa.
Informe:
- canal;
- horário;
- prazo estimado de resposta;
- informações necessárias para localizar o pedido;
- procedimento em caso de atraso;
- procedimento em caso de problema no produto.
Atendimento organizado não significa resposta imediata em qualquer horário. Significa estabelecer um processo compreensível.
Design profissional ajuda, mas não comprova honestidade
Uma apresentação visual organizada pode facilitar:
- leitura;
- navegação;
- localização das políticas;
- compreensão do produto;
- comparação de opções;
- preenchimento do checkout;
- acesso ao atendimento.
Porém, aparência não deve ser tratada como certificado de confiança.
Golpistas também conseguem copiar layouts, logotipos, banners e fotografias.
Uma loja legítima precisa combinar a aparência com elementos verificáveis:
- identidade consistente;
- histórico;
- informação correta;
- atendimento;
- pagamento coerente;
- entrega;
- suporte;
- políticas cumpridas.
O design deve ajudar o consumidor a entender a operação, não apenas deixar a página bonita.
Instagram, WhatsApp e site podem trabalhar juntos
Vender pelas redes sociais não significa necessariamente operar de forma irregular ou insegura.
O problema surge quando o comprador não encontra uma estrutura clara para confirmar quem está vendendo, o que está sendo comprado e como o pedido será atendido.
Cada canal pode exercer uma função:
- Instagram para descoberta, conteúdo e apresentação;
- WhatsApp para conversa, dúvidas e atendimento;
- site para catálogo, informações, políticas, pedidos e conteúdo;
- gateway para processamento do pagamento;
- transportadora para entrega e rastreamento;
- marketplace para alcance, reputação e intermediação.
No artigo sobre por que uma loja no Instagram não substitui toda a estrutura de venda, explico as limitações de depender apenas do perfil e das mensagens.
Uma loja virtual também não substitui todos os canais. Ela organiza partes que ficam espalhadas quando cada pedido depende de conversas manuais.
Veja também o guia sobre como criar uma loja virtual e organizar catálogo, pagamento, frete e pedidos.
Loja própria e marketplace não são inimigos
Marketplaces podem oferecer vantagens relevantes:
- grande volume de visitantes;
- infraestrutura de pagamento;
- histórico do vendedor;
- avaliações;
- mediação;
- processos de entrega;
- proteção da transação.
A loja própria pode oferecer:
- domínio da marca;
- catálogo organizado;
- conteúdo;
- páginas comerciais;
- formulários;
- integração com atendimento;
- maior controle sobre a apresentação;
- relacionamento direto dentro das regras aplicáveis;
- possibilidade de substituir fornecedores mantendo o domínio principal.
Isso não significa independência completa.
Uma loja própria continua dependendo de:
- hospedagem;
- domínio;
- plataforma;
- gateway;
- plugins;
- integrações;
- logística;
- fornecedores.
A diferença está na possibilidade de organizar esses componentes em uma estrutura central da marca.
Uma estratégia pode utilizar marketplace para alcance, Instagram para descoberta, WhatsApp para atendimento e loja própria para catálogo, conteúdo e relacionamento.
O estudo de caso da Brendi mostra como marketplace, WhatsApp e canal próprio podem exercer funções diferentes.
Não retire uma negociação iniciada no marketplace
Quando uma compra começa dentro de um marketplace, o processo deve permanecer na plataforma.
Desconfie quando alguém solicitar:
- pagamento por Pix fora do aplicativo;
- conversa exclusiva no WhatsApp;
- taxa adicional;
- envio por transportadora particular;
- confirmação por link externo;
- pagamento antecipado para liberar o pedido;
- cancelamento e repetição da compra fora da plataforma.
Ao sair do ambiente, o usuário pode perder registros e mecanismos de proteção oferecidos pelo serviço.
Essa orientação vale para compradores e vendedores.
Um vendedor legítimo também deve evitar pedir ao cliente que conclua por fora uma negociação iniciada dentro do marketplace.
Como o consumidor pode verificar uma loja
Nenhum item isolado oferece garantia. A verificação deve combinar vários sinais.
Confira o domínio completo
Observe:
- letras trocadas;
- palavras adicionais;
- hífens;
- terminações diferentes;
- erros de escrita;
- subdomínios confusos.
Exemplo fictício:
marca.com.br.paginaestranha.com
Nesse endereço, o domínio principal é paginaestranha.com, não marca.com.br.
Prefira entrar pelo endereço publicado nos canais oficiais da empresa, em vez de clicar diretamente em um anúncio ou mensagem.
Pesquise a reputação
Busque:
- nome da empresa;
- domínio;
- CNPJ;
- telefone;
- razão social;
- reclamações;
- relatos de não entrega;
- alertas de fraude.
O Procon-SP mantém a lista “Evite esses Sites”, composta por páginas que receberam reclamações, foram notificadas e não responderam ou não foram encontradas.
A ausência do site na lista não comprova que ele seja confiável. A lista é apenas uma das verificações possíveis.
Compare os preços
Uma promoção muito inferior aos valores encontrados em outras lojas merece atenção.
Isso não confirma fraude, mas exige verificar:
- condição do produto;
- estoque;
- vendedor;
- forma de pagamento;
- garantia;
- entrega;
- reputação.
A decisão não deve ser tomada apenas pelo desconto.
Confira o recebedor do pagamento
Antes de confirmar um Pix, verifique:
- nome;
- CPF ou CNPJ;
- instituição;
- valor;
- descrição.
Caso os dados não correspondam à loja ou à explicação fornecida, interrompa o pagamento e procure o canal oficial.
Não confie apenas em comprovantes enviados por outra pessoa.
Desconfie quando só existe pagamento antecipado
Aceitar somente Pix não prova que uma loja seja falsa.
Pequenos negócios podem utilizar Pix por custo e praticidade.
O risco aumenta quando a exigência aparece junto com outros sinais:
- preço muito baixo;
- perfil recente;
- falta de identificação;
- urgência;
- conta de terceiro;
- ausência de políticas;
- atendimento evasivo;
- domínio diferente;
- proibição de outras formas de pagamento.
Verifique as avaliações
Avaliações também podem ser manipuladas.
Observe:
- datas;
- textos muito parecidos;
- concentração de publicações;
- perfis dos avaliadores;
- respostas da empresa;
- reclamações detalhadas;
- avaliações em mais de um canal.
Uma loja nova pode ainda não possuir grande volume de avaliações. Nesse caso, outros elementos de verificação ganham importância.
O que fazer depois de cair em um golpe
A vítima deve agir rapidamente.
Entre em contato com a instituição financeira
Em casos envolvendo Pix, o Banco Central orienta que a vítima comunique o banco e solicite a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução.
O pedido pode ser registrado em até 80 dias após a transação, mas a rapidez aumenta a possibilidade de localizar recursos na conta recebedora.
O MED não garante devolução.
A recuperação depende da análise das instituições e da existência de saldo ou valores rastreáveis.
Preserve as provas
Guarde:
- endereço do site;
- perfil;
- anúncio;
- mensagens;
- comprovantes;
- chaves Pix;
- nome do recebedor;
- telefone;
- e-mail;
- imagens;
- dados do pedido;
- data e horário;
- protocolos bancários.
Não dependa apenas do histórico da plataforma, pois a conta pode ser excluída.
Registre uma ocorrência
A vítima pode procurar a Polícia Civil do estado e verificar a disponibilidade da delegacia eletrônica.
No registro, informe os dados disponíveis sobre pagamento, site, perfil, contato e recebedor.
Denuncie os canais utilizados
O anúncio, perfil, domínio ou página deve ser denunciado aos serviços envolvidos.
Isso pode incluir:
- rede social;
- plataforma de anúncios;
- marketplace;
- provedor de hospedagem;
- registrador do domínio;
- instituição de pagamento;
- mecanismo de busca.
Procure os canais de defesa do consumidor quando aplicável
Quando existe uma empresa identificável e há um conflito de consumo, o consumidor pode procurar:
- atendimento da empresa;
- Consumidor.gov.br, quando a empresa estiver cadastrada;
- Procon;
- Juizado Especial, conforme o caso;
- orientação jurídica.
Em uma fraude com empresa inexistente ou identidade clonada, também será necessária a comunicação às instituições financeiras e autoridades policiais.
O que uma empresa deve fazer quando encontra uma loja clonada
Negócios legítimos também podem descobrir páginas que copiaram sua identidade.
Nesse caso, é importante agir de forma organizada.
Preserve evidências
Registre:
- URL;
- domínio;
- anúncios;
- perfis;
- meios de pagamento;
- números de telefone;
- capturas de tela;
- data;
- horário;
- produtos copiados;
- mensagens recebidas por clientes.
Evite depender apenas de uma captura isolada.
Publique um alerta nos canais oficiais
Informe aos clientes:
- qual é o domínio verdadeiro;
- quais são os perfis oficiais;
- quais números são utilizados;
- como a empresa recebe pagamentos;
- quais páginas são falsas;
- como denunciar.
Não publique dados pessoais de possíveis envolvidos sem orientação adequada.
Denuncie à plataforma e ao provedor
Solicite a remoção do:
- anúncio;
- perfil;
- página;
- domínio;
- checkout;
- conta de pagamento.
Forneça provas de que a marca, o conteúdo ou a identidade pertencem à empresa.
Notifique incidentes técnicos
O CERT.br disponibiliza orientações e modelos para notificar páginas de phishing aos responsáveis pela rede ou hospedagem.
Dependendo da situação, pode ser necessário apoio técnico para identificar:
- provedor;
- registrador;
- endereço IP;
- contato de abuso;
- serviços intermediários.
Registre a ocorrência
Quando houver uso indevido da identidade da empresa, tentativa de fraude ou prejuízo a clientes, procure a autoridade policial e orientação jurídica.
Revise a segurança dos canais legítimos
Uma página clonada não significa necessariamente que o site oficial foi invadido.
Mesmo assim, verifique:
- contas administrativas;
- senhas;
- autenticação em duas etapas;
- e-mails;
- redes sociais;
- domínio;
- acessos;
- plugins;
- integrações;
- chaves;
- registros.
Caso a fraude tenha utilizado informações que não eram públicas, será necessário investigar uma possível exposição de dados.
Como reduzir a possibilidade de confusão com páginas falsas
Não existe forma de impedir toda tentativa de clonagem.
Algumas medidas ajudam a tornar os canais legítimos mais identificáveis:
- registrar o domínio principal da marca;
- considerar variações importantes do domínio;
- usar o mesmo nome nos canais;
- publicar os perfis oficiais no site;
- usar e-mail no domínio;
- proteger contas com autenticação em duas etapas;
- limitar acessos administrativos;
- manter plugins e plataformas atualizados;
- acompanhar anúncios e menções à marca;
- orientar a equipe de atendimento;
- criar um procedimento para denúncias;
- publicar orientações contra golpes;
- manter dados empresariais atualizados.
Empresas maiores ou mais expostas podem avaliar monitoramento de domínios parecidos, redes sociais e campanhas patrocinadas.
Checklist para uma loja legítima
Antes de divulgar a loja, verifique:
Identificação
- O nome da empresa está visível?
- O CPF ou CNPJ aplicável está correto?
- A razão social foi explicada?
- O endereço e os contatos estão atualizados?
- O domínio corresponde à marca?
Produtos
- As descrições são corretas?
- As imagens representam o item?
- O preço está claro?
- O frete aparece antes da confirmação?
- O prazo de entrega é realista?
- As restrições foram informadas?
Pagamento
- O nome do recebedor foi explicado?
- O checkout pertence a um fornecedor conhecido?
- A conexão utiliza HTTPS?
- O cliente recebe confirmação?
- Existe registro do pedido?
- O pagamento não depende de mensagens improvisadas?
Políticas
- Troca e devolução estão explicadas?
- O procedimento de arrependimento está disponível?
- A política de privacidade corresponde ao site?
- As condições são compatíveis com a operação?
- Existe um canal de atendimento?
Segurança
- O painel utiliza senha exclusiva?
- A autenticação em duas etapas está ativada?
- Os plugins estão atualizados?
- Existem backups?
- Os acessos antigos foram removidos?
- A equipe sabe identificar mensagens falsas?
Comunicação
- O site oficial aparece no Instagram?
- O Instagram oficial aparece no site?
- O WhatsApp está identificado?
- Os e-mails utilizam o domínio?
- O cliente sabe quais canais a empresa não utiliza?
- Existe orientação para denunciar uma cópia?
Perguntas frequentes
O golpe de loja online falsa representa 45,1% de todas as fraudes no Brasil?
Não. No levantamento de 2025, os golpes de compra, considerados em conjunto, representaram 45,1% dos relatos recebidos pela plataforma SOS Golpe. A modalidade da loja ou empresa pouco conhecida correspondeu a 15,8% do total analisado.
O estudo representa todos os golpes praticados no país?
Não. A pesquisa utilizou denúncias voluntárias recebidas por uma plataforma específica. Ela ajuda a identificar padrões entre os relatos, mas não funciona como um censo nacional de fraudes.
Um site com HTTPS é confiável?
HTTPS protege a conexão, mas não comprova a identidade ou a honestidade do vendedor. Sites fraudulentos também podem possuir certificado válido.
Um CNPJ válido prova que a loja existe?
Não. Golpistas podem copiar o CNPJ de outra empresa. É necessário conferir razão social, endereço, atividade, canais oficiais e recebedor do pagamento.
Loja que aceita apenas Pix é falsa?
Não necessariamente. Pix é uma forma legítima de pagamento. A atenção deve aumentar quando ele aparece junto com preço muito baixo, conta de terceiro, urgência, falta de identificação e ausência de outros elementos verificáveis.
É mais seguro comprar em marketplace?
Marketplaces podem oferecer mecanismos de reputação, pagamento, disputa e proteção. A segurança depende das regras da plataforma e de o processo permanecer dentro dela.
Ter uma loja própria elimina o risco de fraude?
Não. Uma loja própria também precisa de segurança, manutenção, políticas, pagamento adequado e atendimento. Além disso, páginas fraudulentas podem tentar copiar a marca.
O que fazer quando o Pix foi enviado para um golpista?
Entre em contato imediatamente com a instituição financeira e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução. Preserve as provas e registre uma ocorrência policial.
O MED garante que o dinheiro será devolvido?
Não. O mecanismo permite analisar e tentar recuperar os valores, mas a devolução depende do caso e da existência de recursos disponíveis.
O que uma empresa deve fazer quando sua loja é clonada?
Preservar as evidências, alertar os clientes, denunciar a página aos provedores e plataformas, comunicar instituições financeiras envolvidas, registrar a ocorrência e revisar a segurança dos canais oficiais.
Conclusão
O levantamento de 2025 não mostrou que lojas falsas representavam 45,1% de todas as fraudes do Brasil. Ele apontou que golpes de compra, reunindo várias modalidades, corresponderam a 45,1% dos relatos recebidos pela plataforma SOS Golpe.
A loja ou empresa pouco conhecida foi a categoria individual mais frequente dentro do conjunto analisado, com 15,8%.
A correção não reduz a importância do problema. Ela apenas coloca o dado no contexto adequado.
Lojas fraudulentas e páginas clonadas prejudicam vítimas, utilizam a identidade de empresas e aumentam a atenção necessária antes de uma compra.
Para um negócio legítimo, a resposta não está em publicar apenas um site bonito ou exibir um cadeado.
É necessário facilitar a verificação da empresa, manter informações coerentes, explicar o pagamento, apresentar políticas aplicáveis, proteger os canais oficiais e oferecer um processo de atendimento compreensível.
A loja própria não elimina todos os riscos e não substitui automaticamente marketplaces, Instagram ou WhatsApp. Ela pode organizar catálogo, conteúdo, pedidos, políticas e relacionamento em um endereço central da marca.
Sua loja ainda depende apenas de mensagens, links de pagamento ou informações espalhadas?
Posso criar ou reorganizar sua loja virtual para apresentar catálogo, políticas, formas de pagamento, atendimento e informações da empresa em uma estrutura própria e mais fácil de verificar.
Falar com Wesley pelo WhatsApp
Fontes consultadas
Mapa de Fraudes em Compras Digitais no Brasil 2025
CloudWalk e Silverguard: lançamento do Mapa de Fraudes
Decreto 7.962/2013 sobre comércio eletrônico
CERT.br: comércio via Internet, compre e venda com segurança
CERT.br: estatísticas de páginas falsas
CERT.br: notificações de páginas de phishing
Receita Federal: compras em sites falsos ou redes sociais
Procon-SP: lista Evite esses Sites




